VOLTA: COM CAMISOLA, MAMADEIRA E VERGA ALHEIA. Sibila, lugares contemporâneos da poesia ( tradução RÉGIS BONVICINO)

El poeta brasileño Régis Bonvicino traduce un poema mío al portugués y me entrevista para el proyecto “Sibila, lugares contemporâneos da poesia”.

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Volta: com camisola, mamadeira e verga alheia

Te deixo com teu namorado
Esse que tens em casa
conectada ao facebook
as noites de quarta-feira
________________quinta
______________________sexta
__________________________sábado
________________________________e domingo
quando mijo nas esquinas
______________porque o meu pusher é lerdo!

Nesta segunda-feira cedo
como ele fez muita grana
teu namorado, não o meu pusher vagabundo
eu te escrevo para dizer
que, no café da manhã, comi meninas olhosverdes pornôs
___________________________com muita cerveja gelada.
Posso fazer duas coisas ao mesmo tempo.
Três se tu contares que te escrevo agora
E quatro, meus votos de “o melhor” para ti

Tua calcinha está ficando maior
de tantos filhinhos que o teu senhor te pôs na barriga

Esclareço que não quero vê-la obesa
É que te prefiro ocupada
com o alento da camisola
____________________da mamadeira
________________________________e de outras vergas
antes de vê-la novamente.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Fernando Escobar Páez

O interesse, entre outros, pelo equatoriano FERNANDO ESCOBAR PAÉZ consiste no fato de que ele se aposentou – muito jovem – de ser “poeta” – um ato raro que pode ser entendido como crítica ao panorama atual, melífluo, sem ideias etc., e como reafirmação vigorosa da própria poesia. Elenasceu em Quito, Equador, em 1982. Poeta e narrador, traduzido para diversos idiomas: inglês, alemão, português e francês. Colabora regularmente em vários periódicos, nas seções de cultura e de política.

Leitura de poesia

Sibila: Você lê poesia?

Páez: Na verdade, ultimamente tenho lido mais narrativa, mas dediquei-me muito ao estudo de vários poetas que considero fundamentais e aos quais volto sempre.

Sibila: Que poesia você lê?

Páez: Sou um tanto eclético em minhas leituras de poesia, cito alguns de meus poetas favoritos: Leopoldo María Panero, T.S. Eliot, Arthur Rimbaud, Isidore Ducasse, Juan José Rodinás, Ángel Ortuño, Federico García Lorca, Dylan Thomas, Adonis, entre outros.

Sibila: Você acha que a leitura de poesia tem algum efeito?

Páez: Gostaria de acreditar que sim, ao menos se a intenção que você tem é a de escrever, a leitura se torna indispensável para retroalimentar sua obra. Por outro lado, leitores empedernidos de poesia, como Stálin, assassinaram milhões de pessoas e queimaram livros. Ler poesia não converte você em um ser humano melhor, apenas lhe dá alguma coisa da beleza que está presente também em atos violentos.

Escrita de poesia

Sibila: O que você espera ao escrever poesia?

Páez: Tenho poucas expectativas quanto a isso. Creio ser um poeta aposentado (publiquei duas coletâneas e não tenho a intenção de publicar outras). No momento interessa-me orientar meu trabalho para a narrativa. Entretanto, muitas vezes, no passado, os poemas saíam-me como que por acidente e não descarto a possibilidade de que, em algum momento, isso volte a acontecer.

Sibila: Qual o melhor efeito que você imagina para a prática da poesia?

Páez: No meu caso, o efeito imediato de escrever poesia foi o de aprofundar meu alcoolismo. Gostava de sentar-me e beber, enquanto escrevia (obviamente, muita dessa produção foi parar diretamente no lixo).

Sibila: Você acha que a sua poesia tem interesse público?

Páez: Tomara que a poesia nunca venha a ter interesse público, pelo menos não como o concebem os políticos. A poesia não deve ser considerada um bem ou uma moeda de troca; não precisa nem de bolsas, nem de outras invenções burocráticas que possam contribuir para que a vida do poeta seja mais suportável, porém desnaturalizam seu trabalho.

Publicação de poesia

Sibila: Qual o melhor suporte para a sua poesia?

Páez: A vingança. Quando escrevia poesia, os melhores textos eram aqueles que vinham contaminados pelo ódio por alguém, quase sempre por alguma mulher.

Sibila: Qual o melhor resultado que você espera da publicação da sua poesia?

Páez: Provocar uma reação forte no leitor, deixá-lo aturdido como se tivesse recebido uma descarga elétrica que o tornasse vulnerável e inclinado a cometer atos vis.

Sibila: Qual o melhor leitor de seu livro de poesia?

Páez: (Não sei se entendi bem a pergunta, suponho que fale de alguém em particular… No meu caso não tenho isso de leitor favorito, quando muito, alguns amigos de confiança a quem envio os rascunhos do texto para ter sua opinião, principalmente quanto aos aspectos formais do poema, mas não do conteúdo, pois aí faço sempre o que me dá na telha).

Sibila: O que você mais gostaria que acontecesse após a publicação da sua poesia?

Páez: Receber ameaças. Se alguém se ofende com o que eu escrevo – coisa que acontece muitas vezes – significa que o poema provoca alguma coisa.

*  *  *

Acá el link con el texto original y la traducción al español del poema y de la entrevista:

http://sibila.com.br/critica/sibila-lugares-contemporaneos-da-poesia-fernando-escobar-paez/11672

MUITO OBRIGADO RÉGIS.

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